domingo, 20 de outubro de 2013

JOGOS E ATIVIDADES QUE PODEM FAVORECER O DESENVOLVIMENTO E A APRENDIZAGEM DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL




Todos os jogos apresentados abaixo, podem ser utilizados pelo Professor do AEE, como instrumento de intervenção que possibilita situações de aprendizagens, baseadas em experiências diferenciadas, pois abordam de forma lúdica e vivenciada na prática, realizações alcançadas mediante a utilização de recursos concretos e abstratos que podem exercer maior motivação e significado para a sua aprendizagem. Dentre os vários jogos e atividades que podemos encontrar, segue alguns que possam inspirar e acrescentar as práticas pedagógicas, pelos professores, dentro e fora de sala de aula.

 
Boneco Articulado:

  • Estimula: Noção de esquema corporal, conscientização sobre as partes do corpo e habilidades manuais.

  • Descrição: As partes do corpo recortadas em cartolina: cabeça, pescoço, tronco, dois braços, dois antebraços, duas mãos, duas coxas, duas pernas e dois pés. Para juntar as partes fazendo as articulações, podem ser feitos furos com o furador de papel e coladas taxas, que se abrem depois e perfurar o papel. Outra alternativa é furar as articulações com uma agulha grossa e barbante, e depois dá um nó de cada lado do barbante.

Aplicação:
·         Recortar e montar o boneco articulado;
·         Pedir uma pessoa que sirva de modelo, assumindo diferentes posições que os alunos procurarão para reproduzir com seus bonecos;
·         Fazer o exercício contrário, colocar o boneco em posições que as pessoas deverão representar;
·         Descobrir quais as posições que podem ser feitas com o boneco mas que são impossíveis de serem realizadas pelo ser humano.

Boliche de Latas:

  • Estimula: Motricidade, coordenação motora ampla, coordenação viso-motora, arremesso ao alvo, controle de força e direção.

  • Descrição:

Bolas de meia feitas com algumas meias juntas, que são enfiadas no fundo de uma meia comprida. Para arrematar, torcer e desvirar o cano da perna da meia várias vezes, recobrindo a bola para, posteriormente, costurá-la. Latas vazias, do mesmo tamanho, com números colados.

Aplicação:
      ·         Empilhar as latas fazendo um castelo;
     ·     Jogar como boliche: cada jogador arremessa três bolas, tentando derrubar todas as latas;
      ·         Contar os pontos de acordo com os números escritos nas latas derrubadas;
      ·         Vence o jogo que tiver feito mais pontos.

Modelos com Fósforos:

  • Estimula: Coordenação viso-motora fina, movimento de pinça, orientação espacial, manipulação de quantidades, concentração e atenção.

  • Descrição: Caixa com palitos de fósforo. As laterais foram inutilizadas pela colocação de uma fita adesiva transparente (para evitar que as crianças possam riscar os fósforos).

Aplicação:
     ·         Retirar os fósforos da caixa e pedir à criança que os guarde, com as cabeças voltadas para o mesmo lado;
   ·         Enfileirar os fósforos na mesa, seguindo determinados critérios (ex. três voltados para cima e três voltados para baixo);
     ·         Fazer figuras com os fósforos;
     ·         Fazer formas geométricas com três, quatro, cinco e seis fósforos;
     ·         Construir um quadrado dentro do outro;
     ·         Inventar linhas com desenhos variados e reproduzi-las;
     ·         Fazer sequência de fósforos;
     ·         Fazer contas com fósforos.

Calendário de Pano:

  • Estimula: Desenvolver a noção de tempo e a sequência lógica dos dias, do mês, as estações do ano e as formas de vestuário adequadas ao clima.

  • Descrição: Cortar um tecido de 1m X 1,20m. Prender 31 bolsos de 10 cm X 10 cm. Colocar um número em cada bolso de 1 a 31. Fazer uma série de cartões de 8cm X 8cm com desenho de situações climáticas, vestuário e acessórios.

Aplicação: Diariamente as crianças observam as condições climáticas e colocam as figuras correspondentes ao clima, ao vestuário e aos acessórios no bolso do calendário, identificando o dia da semana e o mês em que se encontram.

Bingo de Formas Geométricas:

  • Estimula: Classificação, percepção visual, reconhecimento de formas e cores, atenção e concentração.

  •  Descrição: 6 cartelas (20 X 20 cm) contendo desenhos de círculos, triângulos, quadrados, retângulos (em cores diferentes). 36 cartelinhas (4 X 4cm) das mesmas figuras, para serem sorteadas. Tampinhas de refrigerante para marcar a figura sorteada.

Aplicação: Ao ouvir a descrição da figura “cantada”, a criança coloca uma tampinha em cima da figura correspondente. Ganha o jogo quem conseguir completar uma fileira horizontal ou vertical.

Quebra-palavras:
  • Estimula: Interesse por letras e palavras, composição de figuras e palavras, reconhecimento de letras, ordenação das letras na palavra.
  •  Descrição: Pedaços de papel cartão com 15 cm de altura e comprimento de acordo com a extensão da palavra, nas quais são desenhadas  (ou coladas) figuras e, abaixo das mesmas, a palavra correspondente, em letra bastão. As cartelas são cortadas em tiras verticais de forma que a cada letra corresponda um pedaço da figura.
      Aplicação:  Entregar para as crianças o conjunto de tiras de cada figura e sugerir que descubra qual palavra poderá ser formada.  A composição da figura é também a composição da palavra.

Dominó de Números:
  •  Estimula: Reconhecimento de numerais, noções de adição e subtração, desenvolvimento do pensamento lógico-matemático.
  •  Descrição: 28 cartelas de aproximadamente 6 X 12 cm, com dois números em cada uma. Números de 0 a 9 (recortados de folhas de calendário) na quantidade de quatro cada, foram colados nas duas partes dos dominós, seguindo as mesmas características do jogo de dominó.
 História em Quadrinhos:
  •  Estimula: Pensamento lógico, sequência lógica, atenção e concentração, estruturação tempo-espacial, discriminação visual, sociabilização.
  •  Descrição: Uma tira de cartolina com 7 cm de largura, riscada no sentido vertical, de 16 em 16 cm. Figuras selecionadas de revistas em quadrinhos são colocadas em sequência na tira de cartolina, para formar uma história, de acordo com o seguinte critério: uma figura é colocada no meio do espaço de 16 cm, entre os dois riscos verticais, e a figura seguinte é colocada sobre o risco. Depois serão cortadas nos lugares onde foram traçados os riscos, separando a figura ao meio e interrompendo a sequência.

Aplicação: Montar a sequência da história juntando as figuras separadas pelo recorte. Narrar a história.


Mediante as considerações aqui realizadas, cito trechos do estudo de autores que se debruçaram sobre a importância do Jogo e da brincadeira, na aprendizagem das crianças, que embasaram a fonte da pesquisa e, ainda, para referenciar minhas colocações a respeito da utilização de tais atividades na aprendizagem dos alunos com Deficiência Intelectual, onde:

Para Kishimoto (2003)
a construção do conhecimento por um aluno com deficiência intelectual é mais complexa, portanto, os profissionais da área educacional devem valorizar a prática lúdica, entendendo que o jogo pode ser um grande aliado no ato de ensinar de forma vivencial, pois desde os primeiros anos de vida, os jogos e as brincadeiras são nossos mediadores na relação com o mundo.

Para Almeida (1994)
A educação lúdica está distante da concepção ingênua de passatempo, brincadeira vulgar, diversão superficial. A educação lúdica é uma ação inerente na criança, adolescente, jovem, adulto e aparece sempre como uma forma tradicional em direção a algum conhecimento, que se redefine na elaboração constante do pensamento individual em permutações constantes com o pensamento coletivo (p. 10).

De acordo com Vygotsky (1998),
o jogo e o brinquedo são instrumentos que devem ser explorados na escola como um recurso pedagógico de grande valia, pois além de desenvolver as regras de comportamento, o jogo atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a criança consegue, muitas vezes, realizações numa situação de jogo, as quais ainda não é capaz de realizar numa situação de aprendizagem formal.

  • ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São
Paulo: Loyola, 1994.
 
  • KISHIMOTO, Tizuco M. O Jogo e a educação infantil. São Paulo: PioneiraThomson
Learning, 2003.
 
  • VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
 Fonte de Pesquisa: http://www.slideshare.net/robslunardi/jogos-e-brincadeiras-para-deficientes